Monitoramento do boletim Sirad-I, divulgado pelo Instituto Socioambiental, ainda revelou recorde de desmatamento em setembro e outubro em Terras indígenas com povos isolados no Amazonas, no Mato Grosso, Acre e Rondônia, além do Pará

Com informações da AGÊNCIA CENARIUM e Instituto Socioambiental – ISA
O Sistema de Alerta de Desmatamento em Terras Indígenas com Registros de Povos Isolados (Sirad) divulgou na última sexta-feira, 2, pelo Instituto Socioambiental (ISA), que o garimpo ilegal causou desmatamento de mais de 1,5 milhão de árvores derrubadas entre 2020 e 2022, na Terra Indígena (TI) Munduruku, localizada na região sudoeste do Estado do Pará, no município de Jacareacanga, margem direita do Rio Tapajós.
A região do Rio Cabitutu, a segunda mais populosa da TI, onde há a ocorrência de um registro de povo indígena isolado, é uma das áreas mais pressionadas pelo garimpo, ficando atrás somente da localidade que está próxima ao Rio Tapajós.
O monitoramento do ISA aponta que o território do povo Munduruku está entre os mais pressionados e invadidos pela atividade ilegal de garimpo na Amazônia. O monitoramento do Sirad-I já identificou, de janeiro até o momento, aproximadamente, 440 hectares de desmatamentos ocasionados por essa atividade ilegal dentro da TI Munduruku.
Outubro foi o mês de maior aumento da área desmatada – 136 hectares. Nesse período, foi identificada a expansão de garimpos antigos e a presença de novos. Entre setembro e outubro, outros 156 hectares foram desmatados na TI. O Sirad-I deu início ao monitoramento desta TI, em julho de 2020, desde então já foram registrados 2.652 hectares de desmatamento relacionados ao garimpo. Isso equivale a mais de 1,5 milhões de árvores derrubadas nesse período.
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20 territórios ameaçadas
O desmatamento em Terras Indígenas com a presença de povos isolados bateu recorde e mais que dobrou nos meses de setembro e outubro em comparação com o bimestre anterior. As principais terras afetadas foram Munduruku (PA), Araribóia (MA), Arara do Rio Branco (AC), Jacareúba/Katawixi (AM) e Uru-Eu-Wau-Wau (RO). Foram cerca de 460 hectares desmatados em 20 territórios, segundo análise do sistema Sirad-I, do Instituto Socioambiental (ISA).
TI Zoró na mira dos garimpeiros
Assim como na TI Munduruku, a Terra Indígena Zoró, no Mato Grosso, também está na mira dos garimpeiros. Desde janeiro, foram identificados 25 hectares desmatados em decorrência do garimpo ilegal.
Proteção vencida no Amazonas
A Terra Indígena Jacareúba/Katawixi, no Amazonas, está à mercê dos invasores desde dezembro de 2021, quando venceu sua portaria de restrição de uso, mecanismo legal de proteção do território.
Há quatro meses o monitoramento do Sirad-I vem identificando sucessivos alertas de desmatamento dentro da Terra Indígena. Nos meses de setembro e outubro, foi identificado um ramal que liga uma fazenda vizinha ao interior da TI e possibilita a extração ilegal e selecionada de madeira – a área identificada somou 68 hectares em setembro.
De acordo com o sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jacareúba já perdeu mais de 3,3 milhões de árvores. A TI está cercada por estradas e ocupações desordenadas.
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Pirititi sob ameaça em Rondônia
Após inúmeras ações da campanha Isolados ou Dizimados, no dia 22 de novembro foi publicado decreto que renovou a restrição de uso que protege os isolados da Terra indígena Pirititi (RO), com prazo de validade até o final do processo demarcatório. O decreto prevê a conclusão da demarcação da TI no prazo máximo de três anos.
Apesar da vitória, o monitoramento do ISA comprovou que a invasão dentro dessa Terra Indígena segue a todo vapor. Entre abril de 2020 e junho de 2022, o desmatamento acumulado no interior desse território atingiu 2.240 hectares, equivalente a mais de um milhão de árvores derrubadas. Na última semana, logo após a renovação, houve um outro foco significativo dentro da TI.